A minha pintura - vista por um crítico profissional

ANÁLISE CRÍTICA DA ARTE DE MARIA DA GLÓRIA

por Rose Marie Caetano
Artista plástica e crítica de arte
diplomada pela Universidade Federal de Brasília- Brasil.

Maria Glória Tavares Fernandes é uma artista intensa. Seus trabalhos evidenciam uma busca constante. Sempre apresenta novas formas, novas pinceladas que transmitem, dos abstratos ao figurativo, uma força única.
Em suas telas as cores são significativas e puras. Não deixa dúvidas quanto à cor de sua escolha. Azul é azul e amarelo é amarelo. Nem as sombras ferem a pureza da cor, lembrando a técnica de El Greco no que se refere à integridade no uso de cores puras. Glória consegue obter luz e sombra empregando com maior ou menor intensidade os brancos. Isto ao observador deixa uma sensação de pureza e simplicidade.
O conjunto de sua obra é intrigante, criativo e leve. Da mesma forma que sua técnica, os seus temas trazem à superfície a alma de uma pesquisadora. É como se em cada nova tela quisesse provocar o olhar e o coração do expectador. Há sempre uma pergunta ou uma provocação no ar, acima de tudo, uma reflexão.
Nada em seus quadros comporta-se como acaso. Talento atribuído a poucos. Suas imagens parecem ser frutos de reflexões perante a vida e, acima de tudo, estão carregadas de sentimentos. Isto instiga aqueles que dela se aproximam a querer ver mais, e mais.
Maria da Glória é uma artista plástica versátil, mas fiel às suas expressões, seja nas aquareladas cores quase esmaecidas, seja onde a tinta mais densa é necessária para uma presença forte ou uma sensação mais ativa.
Suas imagens permeiam emoções que vão da resignação à provação, da calma à angústia da dúvida. É como se, em cada tela, pudéssemos captar uma inquietação sobre a existência. São constantes questionamentos do real e do irreal, do finito e infinito, do próximo e do distante, do natural e do sobrenatural, da vida e da morte, do tangível e do inatingível, do efêmero e do eterno.
A artista é, sobretudo, criativa. Suas imagens entre oníricas e simbólicas trazem consigo dor e esperança. É como se contassem uma história de final inimaginável num plano invisível de existência.
A representação plástica de Glória parece declarar que no toque meigo de seus personagens, no carinho dos gestos delicados, no acalentar de mãos ditosas, na brandura das cores leves existe fé e esperança, mesmo quando o título, ou a figura evocam traições, decepções e angústias.
Nas telas de Glória é possível perceber um constante paradigma que aproximou rosas brancas de gotas vermelhas e que não permite ao apreciador de arte esquecer das suas obras.
Rose Marie Caetano
Crítica de arte diplomada

Nenhum comentário: