Longa manus



Queremos acabar com as anomalias, com o insólito. E o insólito para nós é aquilo que não conseguimos compreender.
Mas eu já vi os cegos rirem.
Encontrei, entre os que sofrem, homens grandes. Os maiores de todos.
Vi aqueles que fizeram da sua dor os poemas que lemos na escola. E os outros, que no sofrimento do exílio compuseram as sinfonias grandiosas que ficaram para sempre.

Inclinei-me perante esses que souberam aceitar a sua pequenez diante do Deus Criador, ou da sábia natureza – conforme o olhar de cada um – e por esse caminho encontraram a maneira de alcançar a grandeza.
Conheci as mães que amaram filhos que não teriam escolhido, e que, ao amá-los, se engrandeceram e se tornaram a tal ponto ditosas que não se trocariam por ninguém. E que não trocariam o seu filho por nenhum outro.
Há muitos caminhos. Todos eles são belos e podem terminar bem.
Mas nós inventámos um modelo de vida perfeita (ou inventaram-no para nós, e martelaram-no aos nossos ouvidos até nos convencermos de que é invenção nossa?). Fora desse modelo, consideramos que tudo é anomalia e erro.
Se continuarmos assim – Saint-Exupéry disse algo semelhante em A Cidadela – havemos de querer suprimir as pérolas, porque não passam de uma anomalia resultante de um erro das ostras. Mandaremos enforcar as mulheres mais simultaneamente belas e virtuosas, por não serem vulgares. Apagaremos dos livros os nomes dos homens que escreveram belas sinfonias e geniais poemas, porque eles não foram iguais aos outros homens.

( Paulo Jorge Geraldo)
Material reciclado - Ferro,madeira carvalho,papel. Para venda.
Presente em exposição - Ettelbruck Luxemburgo

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